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quarta-feira, agosto 24, 2011

AMARÁS SERVINDO


Amarás servindo.

Ainda quando escutes alusões em torno da suposta decadência dos valores humanos, exaltando as forças das trevas, farás da própria alma lâmpada acesa para o caminho.

Mesmo quando a ambição e o orgulho te golpeiem de suspeitas e de rancores o espírito desprevenido, amarás servindo sempre.

Quando alguém te aponte os males do mundo, lembrar-te-ás dos que te suportaram as fraquezas da infância, dos que te auxiliaram a pronunciar a primeira oração, dos que te encorajaram os ideais de bondade no nascedouro, e daqueles outros que partiram da Terra, abençoando-te o nome, depois de repetidos exemplos de sacrifício para que pudesses livremente viver. Recordarás os benfeitores anônimos que te deram entendimento e esperança, prosseguindo fiel ao apostolado do amor e serviço que te legaram...

Para isso, não te deterás na superfície das palavras.

Colocar-te-ás na posição dos que sofrem, a fim de que faças por eles tudo aquilo que desejarias se te fizesse nas mesmas circunstâncias.

Ante as vítimas da penúria, imagina o que seria de ti nos refúgios de ninguém, sob a ventania da noite, carregando o corpo exausto e dolorido a que o pão mendigado não forneceu suficiente alimentação; renteando com os doentes desamparados, reflete quanto te doeria o abandono sob o guante da enfermidade, sem a presença sequer de um amigo para minorar-te o peso da angústia; à frente das crianças despejadas na rua, pensa nos filhos amados que aconchegas ao peito, e mentaliza o reconhecimento que experimentarias por alguém que os socorresse se estivessem desvalidos na via pública; e, perante os irmãos caídos em criminalidade, avalia o suplício oculto que te rasgarias entranhas da consciência, se ocupasses o lugar deles, e medita no agradecimento que passarias a consagrar aos que te perdoassem os erros, escorando-te o passo, das sombras para a luz.

Ainda mesmo quando te vejas absolutamente a sós, no trabalho de bem, sob a zombaria dos que se tresmalham temporariamente no nevoeiro da negação e do egoísmo, não esmorecerás. Crendo na misericórdia da Providência Divina e nas infinitas possibilidades de renovação do homem, seguirás Jesus, o Mestre e Senhor, que, entre a humildade e a abnegação, nos ensinou a todos que o amor e o serviço ao próximo são as únicas forças capazes de sublimar a inteligência para que o Reino de Deus se estabeleça em definitivo nos domínios do coração.



Obra: “Alma e Coração”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quarta-feira, agosto 10, 2011

O PASSE

"Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças". (Mateus, 8:17).

            Meu amigo, o passe é transfusão de energias físio-psíquicas, operação de boa vontade, dentro da qual o companheiro do bem cede de si mesmo em teu benefício.
            Se a moléstia, a tristeza e a amargura são remanescentes de nossas imperfeições, enganos e excessos, importa considerar que, no serviço do passe, as tuas melhoras resultam da troca de elementos vivos e atuantes.
            Traze detritos e aflições e alguém te confere recursos novos e bálsamos reconfortantes.
            No clima da prova e da angústia és portador da necessidade e do sofrimento.
            Na esfera da prece e do amor um amigo se converte no instrumento da Infinita Bondade para que recebas remédio e assistência.
            Ajuda o trabalho de socorro aqui mesmo com esforço da limpeza interna.
            Esquece os males que te apoquentam, desculpa as ofensas de criaturas que te não compreendem, foge ao desânimo destrutivo e enche-te de simpatia e entendimento para com todos os que te cercam.
            O mal é sempre a ignorância, e a ignorância reclama perdão e auxílio para que se desfaça, em favor da nossa própria tranqüilidade.
            Se pretendes, pois, guardar as vantagens do passe que, em substância, é ato sublime de fraternidade cristã, purifica o sentimento e o raciocínio, o coração e o cérebro.
            Ninguém deita alimento indispensável em vaso impuro.
            Não abuses, sobretudo daqueles que te auxiliam. Não tomes o lugar do verdadeiro necessitado, tão-só porque os teus caprichos e melindres pessoais estejam feridos.
            O passe exprime, também, gastos de forças e não deves provocar o dispêndio de energias do Alto com infantilidade e ninharias.
            Se necessitas de semelhante intervenção recolhe-te à boa vontade, centraliza a tua expectativa nas fontes celestes do suprimento divino, humilha-te, conservando a receptividade edificante, inflama o teu coração na confiança positiva e, recordando que alguém vai arcar com o peso de tuas aflições, retifica o teu caminho, considerando igualmente o sacrifício incessante de Jesus por nós todos, porque de conformidade com as letras sagradas, "Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças".



(De “Segue-me!...”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel)

terça-feira, agosto 02, 2011

VIGILÂNCIA


O amigo dizia para outro amigo:

— Não, não creio na necessidade de qualquer defesa contra o mal. Onde a providência de Deus, se formos obrigados a fazer isso?

— Entretanto, — disse o interlocutor, quando nos exortou a orar e vigiar para não cairmos em tentação...

— A vigilância da palavra do Cristo era amor, simplesmente amor...

Devemos unicamente amar, entregando a Deus qualquer problema de defensiva...

Longo silêncio se fez entre ambos.

Alcançando farmácia vizinha, o companheiro que recusava a prudência, em matéria de auto preservação, solicitou vacina contra varíola que passava em distrito próximo.

Depois de sofrer a respectiva picada, o outro observou com largo sorriso:

— Amigo, se você não aprova a vigilância contra o mal, como consegue admitir o poder da vacina?



(De “Endereços da Paz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz)

sexta-feira, julho 29, 2011

EXPERIMENTE HOJE

Agradecer a Deus os benefícios da vida e valorizar os recursos do próprio corpo.

Trabalhar e servir além do próprio dever, quanto lhe seja possível.

Observar, ainda mesmo por instantes, a beleza da paisagem que lhe emoldura a   presença.

Nada reclamar.

Comentar unicamente os assuntos edificantes.

Refletir nas qualidades nobres de alguma pessoa com a qual os seus sentimentos ainda não se afinem.

Falar sem azedume e sem agressividade na voz.

Ler algum trecho construtivo.

Praticar, pelo menos, uma boa ação, sem contar isso a pessoa alguma.

Cultivar tolerância para com a liberdade dos outros sem atrapalhar a ninguém.

Atendamos diariamente a semelhante receita de atitude e, em breve tempo, realizaremos a conquista da paz.


(De “Busca e acharás”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Emmanuel e André Luiz).

domingo, julho 24, 2011

VITÓRIA DO AMOR

Enquanto vicejarem os sentimentos controvertidos da atual personalidade humana estereotipada nos clichês do imediatismo devorador; enquanto os impulsos sobrepujarem a razão nos choques dos interesses do gozo insensato; enquanto houver a predominância da natureza animal sobre a espiritual; enquanto as buscas humanas se restringirem aos limites estreitos do hoje e do agora, sem compreensão das conseqüências do amanhã e do depois, o ser humano arrastará a canga do sofrimento, estorcegando-se nas rudes amarras do desespero.

Assim mesmo, nesse ser primário que rugia na Terra em convulsão enquanto olhava sem entender os círios luminíferos que brilhavam no firmamento, o amor despontava. Esse lucilar que o impulsionou à saída da caverna, à conquista das terras pantanosas e das florestas, levando-o à construção das urbes, é o influxo divino nele existente, propelindo-o sempre para a frente e para o infinito.

Daquele ser grotesco, impulsivo, instintivo, ao homem moderno, tecnológico, paranormal, da atualidade, separa um grande pego.

Não obstante esse desenvolvimento expressivo, o rugir das paixões ainda o leva à agressão injustificável, tornando-o, não poucas vezes, belicoso e perverso, ou empurra-o para a insensatez dos gozos exacerbados dos sentidos mais grosseiros, nos quais se exaure e mais se perturba, dando curso a patologias físicas e emocionais variadas.

A marcha da evolução é lenta e eivada de escolhos.

Avança-se e recua-se, de forma que as novas conquistas se sedimentem, criando condicionamentos que transformem os atavismos vigentes em necessidades futuras, substituindo os impulsos automáticos por aspirações conscientes, para que tenha lugar o florescer da harmonia que passará a predominar em todos os movimentos humanos.

A insatisfação que existe em cada indivíduo é síndrome do nascimento de novos anseios que o conduzirão à plenitude, qual madrugada que vence de forma suave e quase imperceptivelmente a noite em predomínio...

Esse amanhecer psicológico é proporcionado pelo amor, que é fonte inexaurível de energias capazes de modificar todas as estruturas comportamentais do ser humano.

Sentimento existente em germe em todos os impulsos da vida, adquire sentido e expande-se no campo da emotividade humana, quando a razão alcança a dimensão cósmica, tornando-se fulcro de vida que se irradia em todas as direções.

Presente nos instintos, embora de forma automatista, exterioriza-se na posse e defesa dos descendentes, crescendo no rumo dos interesses básicos, para tornar-se indimensional nas aspirações do belo, do nobre, do bem.

Variando de expressão e de dimensão em todos os seres, é sempre o mesmo impulso divino que brota e se agiganta, necessitando do direcionamento que a razão oferece, a fim de superar as barreiras do ego e tornar-se humanista, humanitarista, plenificador, sem particularismo, sem paixão, livre como o pensamento e poderoso quanto à força da própria vida.


(De “Amor, imbatível amor”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

sexta-feira, julho 15, 2011

COMPREENDEI E PERDOAI


        Filhos, a compreensão é a virtude que vos predispõe naturalmente ao perdão.
        Compreendei para perdoar.
        Não conserveis ressentimentos no coração, sabendo que aquele que vos decepciona é um companheiro vencido pelos seus próprios conflitos.
        Não exijais dos outros infalibilidade.
        Os amigos que seguem ao vosso lado, qual vos acontece, são espíritos assinalados por muitas limitações, aparentando exteriormente o que ainda não são.
        Compadecei-vos das mazelas alheias, não sobrecarregando os ombros daqueles que avançam, mal se agüentando ao peso da cruz.
        Não condicioneis a vossa conduta no bem à conduta de quem quer que seja; que a vossa fé não dependa da demonstração de fé dos que vos inspiram na jornada...
        Somente em Jesus Cristo devereis vos encorajar na luta.
        Os irmãos de crença espírita, principalmente os que se encontram servindo na mediunidade e os que ocupam posições de liderança, são, afinal, espíritos comprometidos com o passado: nenhum deles se encontra imune ao assédio das trevas.
        Não raro, o personalismo e a vaidade apenas ocultam nas almas uma estamenha de chagas...
        Os que intentam brilhar para o mundo estão longe de possuir luz própria.
        A rigor, muitos de nós outros não estamos ainda sequer preparados para uma maior proximidade com o Cristo - a possibilidade de semelhante convivência mais estreita nos levaria ao delírio.
        Quem, há séculos, se habituou nas sombras, só gradativamente se acostuma à claridade.
        O homem sem maior entendimento do Evangelho transfere a sua ambição concernente às coisas materiais para as coisas divinas.
        Os apóstolos não chegaram a disputar entre si a primazia de estarem, no Reino Celeste, ao lado do Senhor?
        Assim, tomai vós mesmos a iniciativa da exemplificação e da coragem de vivenciar, de forma irrepreensível, a crença que abraçastes.

BEZERRA DE MENEZES

domingo, julho 10, 2011

QUANDO

- Senhor! - rogou o discípulo, emocionado - quando identificarei a plenitude da paz e da felicidade, jornadeando neste mundo torvo, atribulado, de enfermidades e violências?

O compassivo Mestre penetrando-o com a magia do seu encantamento, respondeu:

-  Quando puderes ver com a suavidade do meu olhar as mais graves ocorrências, sem precipitares julgamentos, remontando às causas; quando lograres ouvir com a paciência da minha compreensão generosa; quando puderes falar auxiliando, sem acusação nem desculpismo; quando agires com misericórdia, mesmo sob as mais árduas penas e prosseguires intimorato na senda do bem entre abrolhos pontiagudos, confiando nos objetivos superiores, já não serás tu, mas sim eu quem vive em ti, e, identificado comigo, fruirás de felicidade e paz.

O aprendiz ouviu, meditou, e, levantando-se, partiu pela estrada do serviço ao próximo, intentando conjugar o verbo amar, sem cansaço, sem ansiedade, sem receio.


(De “No longe do jardim”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Eros)

sábado, julho 02, 2011

JESUS TE ESCUTA

Afirmas absoluta solidão ...
Dizes não existir um só coração que te afague os sentimentos belos, que o alimentem de nobres sonhos ...
Perguntas aos vãos da tua morada: com quem compartilhar os planos do amanhã e as realizações do agora ?
Onde uma mão amiga a estender-se para pensar tuas enfermidades ?
Adiantando o porvir, reclamas uma alma que te acompanhe as últimas horas na jornada física ...
Dores do teu valoroso coração que se não perdem nos ventos da Terra ...
Se crês no amor, acalma teus anseios e ausculta nas cortinas do teu próprio Ser, uma luz que vela tua caminhada, como serena chama em noite tempestuosa, a te falar blandícias e consolações, sem que atines na sua ação.
Tal Luz é o Cristo, que padecendo contigo as tuas provações, acompanha-te no teu calvário de iluminação, reservando-te o jugo da ínfima parte do teu madeiro redentor.


   Meimei / F. C. Xavier

quarta-feira, junho 29, 2011

A escola das almas

Congregados, em torno do Cristo, os domésticos de Simão ouviram a voz suave e persuasiva

do Mestre, comentando os sagrados textos.

Quando a palavra divina terminou a formosa preleção, a sogra de Pedro indagou, inquieta:

— Senhor, afinal de contas, que vem a ser a nossa vida no lar?

Contemplou-a Ele, significativamente, demonstrando a expectativa de mais amplos esclarecimentos,

e a matrona acrescentou:

— Iniciamos a tarefa entre flores para encontrarmos depois pesada colheita de espinhos.

No começo é a promessa de paz e compreensão; entretanto, logo após, surgem pedras e dissabores...

Reparando que a senhora Galiléia se sensibilizara até às lágrimas, deu-se pressa Jesus em

responder:

— O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a

pouco, ao grande entendimento da Humanidade.

E, sorrindo, perguntou:

— Que fazes inicialmente às lentilha, antes de servi-las à refeição?

A interpelada respondeu, titubeante:

— Naturalmente, Senhor, cabe-me levá-las ao fogo para que se façam suficientemente

cozidas. Depois, devo temperá-las, tornando-as agradáveis ao sabor.

— Pretenderias, também, porventura, servir pão cru à mesa?

— De modo algum — tornou a velha humilde —; antes de entregá-lo ao consumo caseiro,

compete-me guardá-lo ao calor do forno. Sem essa medida...

O Divino Amigo então considerou:

— Há também um banquete festivo, na vida celestial, onde nossos sentimentos devem

servir à glória do Pai. O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. O

que nos parece aflição ou sofrimento dentro dele é recurso espiritual. O coração acordado para

a Vontade do Senhor retira as mais luminosas bênçãos de suas lutas renovadoras, porque, somente

aí, de encontro uns com os outros, examinando aspirações e tendências que não são

nossas, observando defeitos alheios e suportando-os, aprendemos a desfazer as próprias imperfeições.

Nunca notou a rapidez da existência de um homem? A vida carnal é idêntica à flor da

erva. Pela manhã emite perfume, à noite, desaparece... O lar é um curso ligeiro para a fraternidade

que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são

lições.

A sogra de Simão escutou, atenciosa, e ponderou:

— Senhor, há criaturas, porém, que lutam e sofrem; no entanto, jamais aprendem.

O Cristo pousou na interlocutora os olhos muito lúcidos e tornou a indagar:

— Que fazes das lentilhas endurecidas que não cedem à ação do fogo?

— Ah! sem dúvida, atiro-as ao monturo, porque feririam a boca do comensal descuidado

e confiante.

— Ocorre o mesmo — terminou o Mestre — com a alma rebelde às sugestões edificantes

do lar. A luta comum mantém a fervura benéfica; todavia, quando chega a morte, a grande

selecionadora do alimento espiritual para os celeiros de Nosso Pai, os corações que não cederam

ao calor santificante, mantendo-se na mesma dureza, dentro da qual foram conduzidos ao

forno bendito da carne, serão lançados fora, a fim de permanecerem, por tempo indeterminado,

na condição de adubo, entre os detritos da Natureza.



Livro: Jesus no Lar – F. C. Xavier / Neio Lúcio

sexta-feira, junho 24, 2011

A Irritação


Ao sair do lar, defrontas os problemas da condução e do trânsito,

na busca da tua oficina de trabalho.

Transportes abarrotados, pessoas rudes, multidões apressadas,

violência pela disputa de lugares, ruas e avenidas movimentadas...

                                                 *

Se chove, emperra o trânsito e as dificuldades se ampliam.

Se faz sol, o calor produz mal-estar e as reclamações promovem

aborrecimento.

Se dispões de veículo próprio, não te podes mover conforme

gostarias, pelas vias de acesso, em congestionamento crescente.

                                               *

Todos têm que chegar a tempo.

O relógio não pára.

Os que se atrasaram pretendem recuperar os minutos perdidos

e atropelam os que estão ao lado ou à frente...

                                             *

A irritação chega e se instala, perturbando-te e levando-te a

competir também com os agressivos.

As buzinas produzem bulha, os semáforos te interrompem a

marcha, e tudo parece estar contra os teus propósitos.

                                           *

Mantém a calma.

Amanhã, propõe-te a sair de casa mais cedo.

A tranqüilidade de todo um dia merece o teu investimento de

alguns minutos.

Não te irrites, portanto, evitando os perigos da ira, que instala

desequilíbrios graves que podes evitar.



Divaldo Pereira Franco - Episódios Diários - Pelo Espírito Joanna de Ângelis